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A nova era do WordPress: de developer a arquitecto

O que mostrei no WordCamp Portugal 2026 sobre engenharia agêntica para WordPress. Os 4 D’s, o kit, os MCPs e os casos reais que correm em produção.

A nova era do WordPress: de developer a arquitecto

No WordCamp Portugal 2026 falei sobre o que mudou no meu trabalho desde Dezembro de 2025: deixei de escrever código e passei a fazer engenharia agêntica — desenhar o sistema que escreve o código por mim. Este post recapitula o talk, deixa o material todo num só sítio e aponta para o kit e os projectos open source que tens de levar contigo.

Se cá chegaste pelo QR code do último slide, bem-vindo. Se andas a tentar perceber porque é que tantos seniores estão de repente a fazer mais com menos cliques, o resumo está aqui em baixo.

Índice

Os 4 D’s

O AI Fluency Framework da Anthropic propõe quatro competências para trabalhar com IA de forma eficaz, eficiente, ética e segura. Em português coincidem todas com D: Delegação, Descrição, Discernimento, Diligência. No talk visitei-os por outra ordem (Delegação → Discernimento → Descrição → Diligência) porque é a ordem que faz sentido no fluxo: só consigo descrever bem o que o agente deve fazer depois de saber como vou avaliar o output. Critério motiva brief.

Delegação é decidir o que fazes tu e o que entregas ao agente. Hoje em dia eu delego implementação, scaffolding e refactoring rotineiro. Mantenho comigo arquitectura, segurança e decisões de produto. Se for irreversível, sou eu.

Discernimento é a fronteira entre vibe coding e engenharia agêntica. Sem testes, é vibe coding com mais passos. Com testes, o agente tem feedback objectivo para saber quando parar. Os testes são literalmente a linha divisória entre os dois modos.

Descrição é o brief que dás ao agente: CLAUDE.md, AGENTS.md, skills, prompts, MCPs. É o conjunto de instruções persistentes que faz com que o senior dev novo na equipa não tenha de te interromper de 5 em 5 minutos. O agente é exactamente esse novo membro.

Diligência é o que sai com o teu nome. Hooks pre-commit que recusam código sem phpcs. Sub-agents read-only a auditar antes de qualquer merge. O agente não é responsável; tu és. É aqui que se separa o profissional do amador, e o trabalho do senior engineer muda em definitivo.

O que mostrei ao vivo

O talk em si foi narrativa pura — sem demos ao vivo, para que os 55 minutos servissem o argumento. Mas o artefacto existe e está no repo: WC Faker AI, um plugin WooCommerce que chama wp_ai_client_prompt() (a nova API nativa do WP 7.0) para gerar 5 produtos num único clique a partir do menu Tools → WC Faker. Tudo o que defendo no talk está espelhado em quatro comandos no demo-plugin/, que mostram o ciclo completo:

  • /talk:01. Bootstrap do plugin com o agente a citar explicitamente as convenções do CLAUDE.md (slug, namespace, prefixos) no docblock. Descrição em acção.
  • /talk:02. Skill wordpress-development a scaffoldar a admin page + REST + wrapper para wp_ai_client_prompt(), com o MCP wp-devdocs a confirmar signatures em vez de adivinhar. A chamada AI só corre quando o botão é clicado.
  • /talk:03. Sub-agente security-reviewer read-only no diff. Lista problemas, não os toca.
  • /talk:04. git commit com hook pre-commit a correr phpcs. Recusa. CLAUDE.md é conselho; hooks são lei.

Clona o repo, abre o demo-plugin/ e os quatro comandos vivem em .claude/commands/talk/. Corre-os pela ordem e tens o ciclo todo: brief com convenções, geração com tools certas, revisão sem confiança, e o hook a fechar o portão.

Casos reais de engenharia agêntica

O kit não é teoria. São quatro sites em produção construídos exactamente com este workflow.

aitradedoctor.com é um SaaS de análise de scripts de trading. WordPress + plugin custom, OpenAI gpt-4-turbo em JSON mode, Stripe com três planos, MagicLink, AffiliateWP, AES-256 no owner gateway para que os master prompts fiquem cegos a developers. Construído end-to-end com este workflow, live desde Março.

veritaslandco.com é corretagem de terrenos no Texas. WP Engine, tema custom, busca half-map estilo Landio, hero em vídeo estilo Whitetail Properties, MLS import engine. Quatro fases, entrega cirúrgica.

winixamerica.com é o caso que escolhi para concretizar a Diligência. WooCommerce, Braintree, plugin custom (pl-winix-helper) com engine de region pricing para US e Canadá, telemetria com 8 checkpoints, AvaTax sync. Em Abril o checkout estava a falhar para canadianos: o gateway concordava com o checkout em USD mas a região era CA. Uma semana de investigação, oito checkpoints de telemetria, três deploys, emails diários ao cliente. O agente fez a maior parte das voltas. Eu decidi quando ir para produção. Sempre eu.

susanaschmitz.com é o site da minha mulher, fotógrafa em Matosinhos. Arquitectura headless: WordPress como backend, Astro como frontend. As decisões de stack foram discutidas com o agente; o que ficou são duas aplicações que servem o mesmo conteúdo de duas formas diferentes.

Leva contigo

Três pacotes open source, todos da Pluginslab.

O kit: wp-agentic-kit. Starter completo para qualquer projecto WordPress. Inclui CLAUDE.md e AGENTS.md anotados, settings.json com allowlist focada em WordPress, .mcp.json com cinco MCPs prontos, a skill wordpress-development com referências de segurança e blocos, três sub-agents (security-reviewer, gutenberg-block-builder, rest-endpoint-builder), e hooks post-edit + pre-commit. Vem com setup.sh para personalizar tudo de uma vez. É exactamente o conjunto que uso eu nos meus projectos.

Os MCP servers:

  • wp-devdocs-mcp. A referência canónica de funções e hooks do WordPress. O teu agente deixa de adivinhar.
  • wp-blockmarkup-mcp. Schemas e validação para markup de blocos Gutenberg. Útil para testes, migrações e geração de conteúdo.
  • wp-playground-mcp. Instâncias efémeras de WordPress para testar plugins em segundos.

O próximo passo: wp-agentic-admin. Plugin que mete um AI Site Reliability Engineer dentro do wp-admin. WebLLM no browser (Qwen via WebGPU), 100% local, GDPR por defeito. Catorze abilities, quatro workflows, ReAct loop que escolhe ferramentas conforme observa. v0.10 lançado no CloudFest Hackathon, v0.11 em sprint final agora mesmo. Se ainda não viste o que é “WordPress que se auto-diagnostica”, vê a v0.10 e fica de olho no que aí vem.

Onde estou em Maio de 2026

Em Janeiro escrevi que os WordPress developers tinham de adoptar este modelo já. Passados estes meses, o que mudou foi a confiança. Hoje os projectos da Pluginslab passam todos por este workflow porque entrega. Os clientes têm features que de outra forma demorariam semanas; eu durmo sabendo que os hooks não me deixam embarcar disparates.

Se algo aqui te faz sentido, clona o kit e usa. Se algo te parece errado, fala comigo no hi@pluginslab.com. Os slides estão no repo privado de organização do talk; o material útil está tudo nos links acima.


Marcel Schmitz. Founder da Pluginslab. Mais sobre o que faço em pluginslab.com.

Em inglês: The Senior Engineer’s Job Just Changed — o argumento mais alargado sobre o trabalho do engenheiro sénior em 2026.